Bruno Moreschi

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Autor de Pierre Menard / Author of Pierre Menard


2015. Nanquim sobre papel, 11 folhas emolduradas, 25 x 18 cm cada. Desenho letra por letra do conto Pierre Menard, autor do Quixote, de Jorge Luis Borges. / India ink on paper, 11 papers framed, 25 x 18 cm each one. Drawing made letter by letter of the short storie Pierre Menard, Author of Don Quixote, by Jorge Luis Borges.


Sesc Belenzinho, São Paulo, BR. 2016.


Em Pierre Menard, Autor de Dom Quixote, conto presente no livro Ficções, de Jorge Luis Borges, o narrador inicialmente enumera as “obras visíveis” de um suposto escritor que dá nome ao título. Ali estão citados suas monografias, suas traduções, seus prefácios, seus livros e até mesmo “um artigo técnico sobre a possibilidade de enriquecer o xadrez eliminando um dos peões da torre” (BORGES, 1998, p. 491).

Nada disso, porém, parece importante diante da obra de Menard que Borges considera “a subterrânea, a interminavelmente heroica, a ímpar” (Ibid., p. 492). Trata-se de sua tentativa em compor outro Dom Quixote, uma experiência que Borges não considera uma cópia, apesar de coincidir exatamente com a primeira versão escrita por Cervantes:

"Não queria compor outro Quixote – o que é fácil – mas o Quixote. Inútil acrescentar que nunca enfrentou uma transcrição mecânica do original; não se propunha copiá-lo. Sua admirável ambição era produzir algumas páginas que coincidissem – palavra por palavra e linha por linha – com as de Miguel de Cervantes" (Ibid., p. 491).

Autor de Pierre Menard é uma ação artística que produz uma nova versão de Pierre Menard, autor de D. Quixote, que produziu uma nova versão de D. Quixote, de Miguel de Cervantes. A estratégia para isso foi o desenho letra por letra do conto em questão destacando a consistência material do texto, para além de seu enunciado.

O desenho de Pierre Menard se relaciona com as ideias de Harold Bloom que diz que o jogo da grande literatura tem como engrenagem um conjunto intermináveis de pequenos comentários que legitimam seu centro dispersor. E de Michel Foucault que escreveu que Quixote era "magro como uma letra".
India ink on paper, 11 papers framed, 25 x 18 cm each one. Drawing made letter by letter of the short story Pierre Menard, Author of Don Quixote, by Jorge Luis Borges.

In Pierre Menard, Author of Don Quijote, a short story by Argentinean writer Jorge Luis Borges published on his anthology Fictions, the narrator names the “visible oeuvres” of the alleged writer that gives title to the story. It lists his monographs, translations, prefaces, books and even “a technical article on the possibility of improving the game of chess, eliminating one of the rook’s pawns.” (BORGES, 1998, p. 491)

Nevertheless, none of the listed items holds any relevance compared to what Borges considers Menard’s “subterranean, the interminably heroic, the peerless” work (Ibid., p. 492): his attempt to compose another Don Quixote, an experience that Borges does not consider a copy or plagiarism, despite the fact that Menard’s work coincides letter by letter with the first version of the work, written by Cervantes.

“He did not want to compose another Quixote —which is easy— but the Quixote itself. Needless to say, he never contemplated a mechanical transcription of the original; he did not propose to copy it. His admirable intention was to produce a few pages which would coincide—word for word and line for line—with those of Miguel de Cervantes.” (Ibid., p. 491)

Inspired by Harold Bloom’s concept of literature as a mechanism of infinite minor commentaries that legitimate their center of dispersion, as well as by Michel Foucault’s writing that Quixote was “as thin as a letter”, Author of Pierre Menard is an artistic action that results in a new version of the short story Pierre Menard, author of D. Quijote. The strategy to reach such a result was to recreate by hand drawing, letter by letter, the first edition of the story, published on the book Fictions, highlighting, in addition to what it enunciates, the material consistency of the text.







"... a verdade, cuja mãe é a história, êmulo do tempo, depósito das ações, testemunha do passado, exemplo e aviso do presente, advertência do futuro.”“... truth, whose mother is history, rival of time, depository of deeds, witness of the past, exemplar and adviser to the present, and the future's counselor.”





This leveling of language that reduces it to pure object status...







Técnica de escrita: caneta Nanquim 0.1 e 0.05 sobre papel. / Writing technique: Nanjing pen 0.1 and 0.05 on paper.





Obra feita em apoio a Pablo Katchadjian, escritor processado pela viúva de Borges por ter escrito uma versão maior de O Aleph.
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Alguns dos textos do site foram escritas em conjunto com a curadora Caroline Carrion. / Some of the texts on the site were written in conjunction with curator Caroline Carrion.